terça-feira, 22 de novembro de 2011

A história do IDH e a história do Censo

A cada novo lançamento do IDH o Governo Brasileiro reclama que os dados 'do PNUD' (erro, nenhum dado é 'do PNUD' que não produz as estatísticas) estão defasados. Com o lançamento quase simultâneo do IDH 2011 e dos dados parciais do Censo 2010, o que vemos é que eles contam a mesma história: a de um país que não dá atenção ao básico no seu desenvolvimento e que caminha a passos lentos. Não vou repetir aqui a história do IDH, mas apenas chamar atenção para um conjunto de estatísticas no Censo.

De 2000 a 2010 os domicílios com computadores pessoais passaram de 10,6% para 38,3%. Positivo. A posse de carros passou de 32.7% para 39.5%. OK. Avançamos na posse de bens de consumo duráveis, até alguns não tão essenciais a vida, como os computadores.  Mas quando olhamos para o básico vemos por exemplo que o saneamento, que de 1991 a 2000 passou de 54,4% a 62,2% de cobertura (ou seja, um avanço de quase 8 pontos percentuais). No período seguinte, em 2010, chegou a apenas 67,1% (isso é, um avanço de aproximadamente 5 pontos percentuais). Não se pode culpar a desaceleração no avanço do saneamento do Brasil, em um período tão longo como o de 10 anos, ao seu 'alto nível' de cobertura, quando 1 em 3 brasileiros vivem sem saneamento. 

A história da provisão de água potável é a mesma, senão pior. De 1991 a 2000, a cobertura subiu de 64,9% para 77,8% (um avanço de quase 13 pontos percentuais). Já na década seguinte, em 2010, subiu para 82,9% (um avanço de menos da metade, de 5 pontos percentuais). De fato, é sabido que à medida que as estatísticas tendem a universalidade, o avanço se torna mais difícil, mas esse não parece ser o caso da provisão de água e saneamento no Brasil.

A história que o Censo conta é a de um país com grandes avanços (todo o lado do Censo 'Pereirão vs Pereirinha' sobre o qual escrevi antes) mas cujo DNA da política pública continua descuidando do básico. Precisamos resgatar o básico, na saúde, na educação, na provisão dos bens públicos mais caros ao ser humano, como o saneamento e a água, para que possamos dizer que vivemos um país que se considere 'em desenvolvimento'. Nisso, de nada difere a mensagem do Censo daquilo que foi divulgado no IDH 2011.

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