14.7% foi a reivindicação do judiciário. A assim chamada 'revolta dos ministros do STF' se resolveu quase que instantâneamente. O Governo mudou o discurso, reveu o orçamento. Funcionários da saúde, das universidades federais, policiais, professores e tantos outros em greve no país (como a greve de coveiros em São Paulo), alguns por meses, por salários indecentes deveriam 'aprender' com o judiciário a mágica de sensibilizar o governo em período tão curto de tempo. Hoje, um ministro do STF disse que 'não era bem assim', que o problema foi o 'desrespeito aos trâmites constitucionais'. Esse desrespeito no entanto ocorre não por circumstância mas por estrutura, quando o judiciário -que diga-se de passagem é o pilar da civilidade de um país- tem salários bem distantes do comum de outros funcionários públicos, também essenciais ao desenvolvimento como médicos, professores, policiais, etc
Que o aumento pretendido pelo judiciário seja de R$ 7.7 bilhões é símbolo de uma desigualdade gritante no país, quando lembramos que o custo do 'Brasil sem Miséria' é de R$ 3.5 bilhões, com todo o significado e relevância que tem para o país. John Rawls, o maior filósofo do direito da idade contemporânea, deve haver revirado em sua tumba a ver a antítese do 'véu da ignorância' sendo praticado no Brasil no qual não somente os legisladores dão a impressão de usar sua posição de privilégio em auto-interesse mas não são mais ativos, com a mesma 'indignação' referida, a injustiças e desobediências da lei muito mais graves no nosso país.