Pois foi assim que El Pais, um dos jornais mais importantes do mundo, se referiu ao Brasil, na sua edição on-line (http://internacional.elpais.com/internacional/2012/02/09/eldebate/1328812307_364926.html) que mobilizou um conjunto de especialistas para debater alguns problemas recentes brasileiros, como a questão da greve dos policiais na Bahia. Muito interessante observar a visão do Brasil vista de fora: um país que é importante em termos econômicos, mas que apesar de todo seu progresso recente continua sendo extremamente injusto.
Juan Arias comenta (deixo em espanhol) que "Los policías militares de Rio piden 3.500 reales de salario (unos 1.500
euros) que les parece imposible de conceder a las autoridades. En el
Congreso se discute un piso salarial único nacional de 2.500 reales (
poco más de mil euros) y la misma Presidenta Dilma afirma que de ser
aprobada muchos Estados acabarán arruinados. Ahora bien, los jueces
llegan a ganar en Rio hasta 140.000 reales mensuales. La mayoría no
menos de 50.000 reales. Son como mínimo 50 veces más que lo que gana hoy
un policía militar. Sin hablar de los maestros cuyo sueldo máximo no
llega a 800 euros." Esses são os números do Brasil vistos no exterior. Os números da desigualdade. Será que perdemos no Brasil a clareza da crítica vívida de quem nos olha lá de fora?
Enquanto não investirmos seriamente na educação brasileira será difícil discordar de que não temos os pés de barro.
Flavio, o que poderia ser feito no curto prazo? Alguma politica redistributiva? Qual o numero de juizes comparado ao de policiais? Sera que a falta de poder de barganha dos policiais nao se deve, ironicamente como diria Olson, ao grande numero de policiais que gera falhas de coordenacao?
ResponderExcluirOi Caio,
ExcluirEsse é o problema. Acho que no curto prazo não se pode fazer nada. Juízes já tem direitos adquiridos e somente se pode mudar para os novos que entrarem. Esses privilegios seguirão existindo. Mas que se pode voltar a valorizar os profissionais que lidam com o básico do serviço público, isso sim, deveria ser feito, acompanhado de planos de incentivos e carreiras de acordo com o desempenho. Entendo que alguns estados brasileiros já avançaram nessa direção. Falta 'compactos' e monitoramento do serviço público. Muito ainda precisa ser feito, mas com pouco resultado no curto prazo, infelizmente a meu ver.
Caio e Flávio, diminuir o tamanho do estado para que ele possa melhorar os salários das carreiras de estado e diminuir o gap entre publico e privado, algo, na linha de privilegiar setores vitais, e liberar espaço para iniciativa privada investir em infra-estrutura, etc. Vejo com tristeza que esse debate foi completamente demonizado no Brasil e esquecido. Temos um Estado muito grande uma carga tributária absurda e uma péssima infra-estrutura e salários ridículos para professores, policiais, médicos, etc. Nossa esquerda concentra renda e perpetua gargalos e nós brincamos de sexta potência...
ResponderExcluirOi Anaximandros,
ExcluirTem estados grandes, como os escandinavos, que funcionam, tem estados pequenos, como em vários paraísos fiscais, que abandonam suas populações, como no Caribe. O ponto não é, na minha opinião, se o estado é grande ou pequeno, porque de fato não existe uma única resposta para isso, mas se funciona ou não. Falhas de mercado não fornecem incentivos para a iniciativa privada fazer bons investimentos sempre (veja o fracasso da privatização dos trens na Inglaterra). Mas algumas vezes melhor se o estado fiscalizar ao inves de produzir. Não existe resposta única. Concordo com você que o Brasil hoje perpetua gargalos e 'brincamos de sexta potência'. Não somos potência. Temos uma política com baixíssimo grau de accountability. E uma politica externa...bom, sem comentarios
Flavio, concordo contigo, como sempre manténs um rigor quase inglês,(risos), mas a primeira parte da tua resposta pode induzir ou incentivar os enganos ideológicos, que, creio, estamos seguindo na América Latina, as falhas de estado são tão ou mais graves do que as do mercado. Não questionar o Estado é conservador e era sobre isso que falava, afinal, todos que criticam o estado no brasil são rotulados, etc. Enfim, longo debate, mas tem que ser feito e temos sim que refazer o estado brasileiro e também concordo com o caminho do meio. Abraço do s.
ResponderExcluirSalve Anaximandros,
ExcluirTirando o fato de que na minha opinião o rigor não deve ter nacionalidade...rsrsrs, concordo muito com o seu ponto. É claro que existem falhas de estado junto as falhas de mercado, e que o estado tem servido para criar privilegios e esferas de desigualdades que são ofensivas à moralidade pública. Mas isso não quer dizer que 'liberar espaco para a iniciativa privada' seja solução para isso. Pode-se privatizar, deixando o estado como se está...qualquer semelhança com a história recente do Brasil não é mera coincidencia...rsrsrs
Flavio e Anaximandros, eu vejo tanto a questao da educacao como a do tamanho do estado com elementos que constituem o que se convencionou chamar de 'instituicoes'. Ambas as sugestoes sao endogenas - afetam instituicoes e sao afetadas pelas instituicoes. No curto prazo talvez seja necessario algum tipo de mecanismo redistributivo. A vantagem nesse caso eh que, por exemplo, diante de uma elevacao de aliquota de imposto de renda sobre os juizes nao deve reduzir o incentivo ao trabalho - a economia da informacao nos ensinou que, na media, funcionarios que ganham salario fixo tem pouco incentivo para ser tao produtivos quanto poderiam - e deve ter reduzir a selecao adversa.
ResponderExcluirSim Caio, do ponto de vista de um modelo principal-agente acho que os juizes já não reagem a qualquer alinhamento de incentivos....no curto prazo sou bem pessimista. E sobre o tamanho do estado, o que voce me diz dos estados grandes como os escandinavos onde a qualidade de vida é de altíssimo desenvolvimento humano?
ExcluirFlavio, eu nao sou (muito) contra a estado grande a priori. Nos paises escandinavos a hipotese do 'planejador central benevolente' nao parece tao irrealista! De qq maneira, o meu ponto eh que 'educacao' e 'tamanho do estado' refletem as instituicoes de um pais e dessa forma, deveriam ser vistas como resultado de um processo. No curto prazo, nao vejo outra alternativa senao politica redistributiva. Aqui eu acho que nao haveria trade-off entre equidade e eficiencia!
Excluirflavio e caio, os escandinavos herdaram de rosa o modelo social-democrata, mas já em 1954, abdicaram da luta de classes e da demonização do mercado, (não lembro bem o nome da cidade onde foi realizado o encontro histórico, mas creio que foi na suécia), depois veio olof palme (http://pt.wikipedia.org/wiki/Olof_Palme) meu melhor exemplo moderno de politico e que eu sempre respeitei. No Brasil e na AL a defesa do Estado é ideológica e de projeto de poder, não atende á cidadania e não valoriza o ser humano. Os exemplos de norte a sul são tantos e tamanhos que não preciso relata-los. Precisamos de uma social-democracia escandinava que não seja conservadora e contra o mercado. Um abraço, do s.
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