A divisão na zona do euro chegou a um de seus capítulos mais dramáticos depois que o parlamento Grego votou no domingo dia 13 de fevereiro um dos mais duros pacotes de austeridade já vistos em tempos recentes. A obrigação de pagar 14.5 bilhões de euros em títulos gregos que estão vencendo dia 20 de março fez com que o programa de reestruturação da dívida grega (estimada no curto prazo em 130 bilhões de euros) fosse a única alternativa vista pela política grega. Leve-se em conta que enquanto o PIB da eurozona caiu 0.3% no último trimestre de 2011, o da Grécia caiu 7% (mais nem todos cairam, a Alemanha por exemplo cresceu 0.6% no mesmo período).
O problema fundamental é que a economia grega não oferece padrões mínimos de competitividade compatíveis com outros países da zona do euro, como a Alemanha, França ou Holanda. Como eles não podem desvalorizar sua moeda (estratégia normalmente adotado por países) o ajuste da ordem de 30% tem que ser feito internamente, impondo custos adicionais significativos à sociedade grega. O problema é que após as autoridades gregas terem votado no domingo esse pacote de austeridade, ontem e hoje elas ressurgiram perante a pressão da opinião pública dizendo que depois das eleições que eles terão em abril, eles já verão qual parte do pacote implementarão.
Essas declarações enfureceram ministros da economia da região, que começaram a questionar porque impostos dos seus cidadãos, que já vem reclamando há algum tempo os custos do bail-out, devem ser utilizados para financiar não empréstimos, mas simplesmente recursos que vão ser doações pró-estabilização em outros países. O enfraquecimento da coesão social dentro da zona do euro se refletiu em declarações feitas por altos funcionários da Comissão Européia de que 'a Grécia está próxima do calote' ou de que 'já estamos perdendo a paciência'.
Parece que tudo já está preparado dentro da zona do euro para a saída da Grécia. O fato de que a sua economia responde por menos de 3% de toda a economia do região pode facilitar sua saída. Por um lado, há uma mudança de sentimento contra a Grécia. Por outro, na Grécia há grande ressentimento contra a Alemanha e outros países da eurozona que parecem estar querendo puxar o país para fora do euro.
Nesse momento, o futuro do euro parece incerto, pode ser o começo do fim para alguns. Mas as evidências parecem sugerir justamente o contrário. A saída da Grécia não é o fim do euro, mas a única chance de sua continuidade. Para começar, as condições iniciais de união monetária (como controle do déficit público Grego) não foram preenchidas e aqui somente se pode culpar os Alemães e Franceses que foram mais motivados por razões políticas do que econômicas com a implantação do euro como consolidação da União Européia. Talvez seja melhor para o povo grego também. O euro sobreviverá, mas menor do que é hoje.
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