terça-feira, 10 de abril de 2012

O Relatório da Felicidade Mundial

O primeiro Relatório da Felicidade Mundial acaba de ser lançado.A mensagem que traz é instigante. Sua discussão conceitual é reflexiva, tratando de um mundo onde as pessoas buscam a afluência e acabam vítimas da obesidade, depressão, diabetes, desordens alimentares variadas, do jogo, da televisão. Trata de um mundo onde a confiança social foi perdida, onde o sentimento de comunidade desapareceu de grande parte dos tecidos sociais urbanos, onde a confiança nos governos é cada vez menor. O mundo como um todo está mais rico, mas será que é mais feliz?

A felicidade é um conceito normalmente desprezado pelo paradigma de Desenvolvimento Humano e pelo cálculo econômico. Esse Relatório não traz nenhuma evidência definitiva para calar os críticos aos estudos de bem-estar subjetivo mas avança dramaticamente em relação a uma fundamentação conceitual que faltava a esse grupo de estudos. Mais ainda, o Relatório advoca um novo modelo de humanidade como fundamentação das medidas de bem-estar ancorado não somente no pensamento 'estritamente racional' mas também no papel das emoções na configuração do nosso bem-estar.

Valores e comportamentos altruístas geram felicidade não somente para aqueles que recebem mas para os que dão também. Muitos dos valores ensinados pelas diferentes religiões são apoiados por sistemas seculares de ética que os suportam. O Relatório traz evidência relevante que explica porque algumas hipóteses utilizadas em modelos econômicos de bem-estar estão simplesmente erradas do ponto de vista descritivo.

Mas o que contribui mais para a nossa infelicidade? Segundo o Relatório, problemas na área da educação são os que mais contribuem, com 16%, seguidos de problemas no uso do tempo com 14%, baixo padrão de vida, também com 14% e bem-estar psicológico com 11%. A renda está longe de ser a única explicação para nossa felicidade, por mais que estruturemos nossas vidas muitas vezes em torno desse único objetivo.

O Relatório segue certo pluralismo metodológico ao utilizar várias medidas de bem-estar subjetivo. Mas o índice de Felicidade Nacional Bruta, utilizado pelo Butão, ainda é um índice complexo com 9 dimensões e 33 indicadores que parecem difíceis de articular como saúde, educação, diversidade ecológica, governança, diversidade cultural, padrão de vida, bem-estar psicológico, vitalidade comunitária e uso do tempo. A Felicidade Nacional Bruta está longe de ser um indicador a ser utilizado pelo grande público.

O Brasil segue em 25o lugar na medida conhecida como 'cantril ladder', em 22o na 'satisfação com a vida' e 53o no 'índice da felicidade', todas bem acima da suas medidas de desenvolvimento humano.Os números parecem ainda dizer pouco mas o Relatório levanta uma discussão sobre o significado da vida e o que diferentes mensurações significam para o nosso cotidiano que é de grande valia. A Felicidade não é uma categoria para ser ignorada 'olimpicamente' na caracterização do nosso bem-estar, mas precisa ser melhor estudada e levada em conta mais seriamente.




Nenhum comentário:

Postar um comentário