A sustentabilidade deve ser simples. Enquanto soluções mirabolantes são discutidas em preparação ao Rio+20, outras, muito mais simples, como evitar o desperdício de comida estão ao alcance de todos. O problema, no entanto, é maior em países em desenvolvimento. Evitar o desperdício de comida, que chega a ser mais de 30% de tudo aquilo que é produzido no mundo, é combater uma injustiça que penaliza todos aqueles que passam fome.
Todos os anos são disperdiçados ou perdidos 1.3 bilhão de toneladas de comida no mundo inteiro, divididos entre 670 milhões de toneladas perdidas nos países ricos e 630 milhões de toneladas nos países mais pobres. Esse desperdício tem impactos ambientais e humanos consideráveis. Não é somente o desperdício de água, energia, terra e as emissões de CO2 desnecessárias que entram nessa conta, mas alimentos que são vendidos no final a preços muito mais altos, privando as pessoas mais pobres de uma alimentação melhor e mais variada.
Nos países ricos (e entre consumidores nos países em desenvolvimento com esse perfil) o desperdício acontece no momento do consumo, devido ao comportamento dos consumidores que planejam mal o seu consumo ou simplesmente não dão valor aos alimentos. Os padrões impostos sobre a qualidade desejada dos alimentos leva a muitos disperdícios. O desperdício per capital anual é da ordem de 95kg a 115kg na Europa e América do Norte. Talvez a crise financeira esteja sensibilizando as pessoas vivendo nessas áreas, mas os tempos de prosperidade trouxeram não somente o consumismo (do qual todos parecem estar mais ou menos conscientes) mas a cultura do desperdício, como se o desperdício fosse sinal de afluência e essa de bem-estar.
Nos países pobres o problema é diferente, pois por volta de 40% das perdas acontecem antes dos alimentos chegarem aos consumidores, principalmente nas fases de transporte e armazenamento. O resultado disso são alimentos mais caros que impactam principalmente naquelas pessoas em situação de risco alimentar (no Brasil temos 11.5% da população com insegurança alimentar forte e moderada). Na América Latina, sabemos que entre as frutas e vegetais (onde o maior desperdício ocorre) 20% é perdido no processamento e empacotamento, 12% é perdido na distribuição e 10% dentro de casa (esse também é o percentual de desperdício de cereais). Na África Subsaariana, Ásia Meridional e no
Sudeste Asiático são jogados somente entre 6 kg e 11 kg per capita.
Com tanta gente passando fome no mundo (oscilando por volta de 1 bilhão de pessoas) e com tanta pressão sobre os recursos naturais que a produção de alimentos acarreta, nunca como antes valeu aquela máxima de nossos avós de que 'é um crime desperdiçar comida'. Para mais informações veja www.save-food.org.
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