A frase original de Benjamin Disraeli de que "existem 3 tipos de mentiras: mentiras, mentiras deslavadas e estatisticas" é um lembrete para a importância de olharmos com mais atenção para o que as estatísticas dizem e o que significam para nossas vidas. A isso se destina esse blog.
sábado, 28 de abril de 2012
O dia que discordei do Professor Amartya Sen
25 de abril de 2012. O Fronteiras do Pensamento trouxe o Professor Amartya Sen a Porto Alegre para dar uma palestra sobre temas abordados no seu último livro 'A Idéia de Justiça'. Durante a sua fala o Professor Sen enfatizou como o seu entendimento de justiça é orientado à ação prática e à política pública. Repetidas vezes notou como o 'livro é sobre o papel da razão pública na formação de nossa idéia de justiça' e discursou sobre a importância de se compreender como a luta contra as injustiças locais é parte de uma batalha maior de superação das injustiças globais. Criticou a abordagem contratualista como uma 'retórica vazia' e para ilustrar o que queria dizer convidou o público a considerar vários exemplos, como a questão do crescimento sustentável, o papel dos mercados e da democracia, chegando a abordar questões do momento como a presente crise financeira na Europa.
É difícil discordar do apelo que o Professor Sen faz ao uso da razão para o fortalecimento da razão pública (e democracia) como uma âncora à organização social e ao desenvolvimento humano. É fascinante ver como ele usa a abordagem das capacitações para organizar o seu pensamento ao tratar de um leque tão diferenciado de questões e como ele fundamenta sua crítica social em uma combinação do pensamento contemporâneo com o pensamento clássico (como o de Adam Smith, Karl Marx, John Stuart Mill, entre tantos outros).
No entanto, dentre as perguntas que tive o privilégio de fazer ao Professor Sen nesse encontro (agradeço novamente aos organizadores do Fronteiras pelo privilégio de ser o debatedor do Professor Sen nesse evento), fiquei insatisfeito com a resposta do Professor a minha terceira questão. A questão era sobre a relação entre a educação e a idéia de justiça. Se justiça para o Professor Sen é sobre como as pessoas estão conectadas com as vidas dos demais e não somente sobre a natureza das instituições que estão ao seu redor, parece que é essencial explicar de onde vem esse senso de justiça e como ele é formado nas pessoas. Esse é um ponto importante para outros autores como para a Professora Martha Nussbaum (outro expoente do desenvolvimento humano) que tem uma agenda clara de fortalecimento da educação através da promoção da humanidade dos indivíduos. Segundo ela as emoções fazem parte de nossos julgamentos de valor e como tal são essenciais à constituição desse senso de justiça e da formação da razão pública (conceito muito importante também no trabalho do Professor Sen).
A resposta do Professor Sen, citando a sua tentativa de ler uma cópia do último Relatório de Desenvolvimento Humano Brasileiro (que eu havia passado a ele) aproximando sua leitura do português pelo seu conhecimento do italiano, foi a de que é melhor ter qualquer educação (no sentido de escolaridade) do que nenhuma. Com isso ele diferenciou o contexto Brasileiro do Indiano. Mas é difícil a meu ver concordar com o Professor Sen nesse julgamento por pelo menos 3 razões.
A primeira razão é conceitual. O ensino que é apenas teórico, carrega consigo um 'currículo oculto' (como mostrado nos escritos do Professor Tristan McCowan do Institute of Education de Londres) que contempla e promove, mesmo que não trate disso explicitamente, um conjunto de valores associados. Isso é, uma agenda de apenas ensinar a escrever, a ler, e fazer contas traz consigo também um sistema de valores sobre outros aspectos do ser humano que são no final considerados menos importantes. Cuidar do 'basicão', como sugerido pelo Professor Sen (claro que não nessas palavras), não é deixar o não-básico para depois, mas é instituir uma modalidade de ensino mais pobre em sí nos quais outros potenciais do ser humano deixam de ser estimulados, desde uma idade muito tenra. Sobre a importância de se cuidar da educação mesmo nos anos pré-escolares e da relevância do conhecimento não-cognitivo cito o trabalho do Professor James Heckman, que nos mostra que a educação infantil (no qual ainda não se trabalha esses conteúdos que o Professor Sen parece privilegiar) é fundamental para o desenvolvimento humano.
A segunda razão é prática. A experiência brasileira mostra que o investimento no básico pode não ser sustentável se não for acompanhado do 'não-básico'. Isto quer dizer que uma escola mais pobre em termos de vivências (sem artes, sem música, etc) pode não manter os alunos interessados no ensino, por não fazer sentido a suas vidas, levando a uma desvalorização do mesmo como parte de seus planos de futuro. O resultado disso pode ser visto através das altas taxas de abandono e evasão presentes no sistema educacional brasileiro. No Brasil, aos 9 anos, 16% das crianças já não estão na série que deveriam estar para a sua idade. Aos 16 anos, 40% dos adolescentes já não estão na série adequada. O tratamento de valores e do não-cognitivo nas escolas não deve ser visto como um luxo (como talvez sugerido pelo Professor Sen) mas sim como um imperativo para que as escolas sejam ambientes funcionais, civilizados e inspiradores.
A terceira razão é de princípios. O Professor Sen foi absolutamente coerente na sua resposta. Se a idéia de justiça é combater as injustiças, a primeira injustiça a ser combatida (de modo descentralizado e pontual, como ele defende no seu livro) parece ser a falta de acesso das crianças à escola. Mas de fato, a injustiça cometida ao deixar as crianças fora da escola não é a falta de acesso per se, mas sim a falta de consideração por elas como seres humanos. Não fica claro se apenas a concessão do acesso resolve esse problema mais existencial (ou de princípios). Muitas vezes, uma pessoa não é tratada dignamente quando ela é tratada diferentemente de outra em questões muito básicas, como é o caso da educação. Nesse sentido, não existiria 'meia-injustiça', mas apenas injustiça inteira, assim como não existe a violação de 'meio-direito humano' mas do direito humano inteiro. O problema é que a educação de qualidade deveria ser vista como um direito de todos. E se esse objetivo não for contemplado, para o qual não somente o investimento no cognitivo mas também no não-cognitivo das crianças e jovens é necessário, então qualquer política que vise 'meio-resultado' não parece ser suficiente.
A experiência brasileira talvez tenha muito a ensinar à Índia. Durante as décadas de 80 e 90 aumentamos muito rapidamente o acesso das nossas crianças à escola, para duas décadas depois enfrentar grandes dificuldades com a permanência das mesmas no sistema de ensino e a baixa qualidade do mesmo. A lição que fica desse debate é sobre a importância de pensarmos a 'temporalidade' da política pública. De fato, o próprio Professor Sen parece concordar com essa idéia quando ele afirmou na sua palestra que 'a Economia não é somente sobre o que fazer mas quando fazer' ("Economics is not only about what to do but when to do it"). O mesmo vale para a política pública.
Aqui está a minha discordância. Não se pode ter meia-justiça nem meias verdades. Enquanto não houver igualdade de oportunidades, estaremos apenas educando seres humanos para serem subalternos e ficarem contentes com migalhas. Realizações pela metade podem ser apenas um meio de se perpetuar sistemas de dominação social que são injustos na sua essência. Talvez não possamos fazer justiça sem ideais (mesmo que sejam 'transcendentais'), como o Professor Sen argumenta. Talvez não consigamos nos livrar tão facilmente do que John Rawls pregou sobre o papel dos ideais na formação de nossa idéia de justiça.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Censo, logo existo: a tirania das médias
Novos dados do Censo 2010 foram recém divulgados. A história parece ser a mesma das últimas vezes: melhoramos muito, mas ainda há muito o que fazer. Por exemplo, cita-se que aumentou de 2000 a 2010 o número de pessoas com carteira assinada de 54.8% para 63.9%, ou a parcela de ocupados de 34% para 46% ou o rendimento médio mensal para R$1275. As notícias parecem ser todas boas também quando chegamos a posse de eletrodomésticos e melhoria de indicadores de saúde.
Mas apesar de todos esses avanços é verdade que não conseguimos mudar as desigualdades que marcam a maneira como a vida no Brasil é organizada socialmente. Talvez esse seja o conteúdo específico do que se quer dizer por 'ainda há muito o que fazer'. Mas se isso é verdade, não é questão do 'muito por fazer', mas do simplesmente 'fazer', de mudar a essência da sociedade desigual na qual vivemos. Alguns números reforçam essa leitura.
A divisão urbano-rural continua, com o rendimento médio rural sendo 41.64% do rendimento urbano. Muitas dessas pessoas nesses territórios vivem em pobreza extrema. De fato, 24% das pessoas vive com até meio salário mínimo per capita mensalmente, o que corresponde a 13.7 milhões de domicílios. Do lado dos ricos, 0.9% das pessoas vivem com mais de 20 salários mínimo, mas quando abrimos por estados encontramos 1.3% para o Rio, 1.2% para São Paulo, e surpreendentes 4.1% no DF. Não são os ricos do plano piloto que esperam mais de uma hora por dia para ir ao trabalho (16.5% das pessoas no DF gasta mais de 1 hora por dia para se deslocar para o trabalho). As estatísticas agregadas não nos deixam ver essas diferenças.
Nesse mesmo Brasil temos populações marginalizadas vivendo sem água canalizada. Os percentuais são altos para estados como o Maranhão (20.9%), Pará (24.7%) e Acre (29.7%). A média de 5.8% daqueles que não tem água canalizada no Brasil esconde essas disparidades se compararmos com estados como São Paulo e DF que tem respectivamente 0.5% e 0.4% sem água canalizada.
Deveríamos proibir no Brasil o uso das médias na divulgação das estatísticas. As distorções que encontramos mesmo por estados são significativas. Os dados do IBGE precisam ser melhor decompostos por grupos e faixas para que entendamos melhor essa sociedade de classes na qual vivemos. Sem isso, continuaremos com as manchetes 'muito foi feito, mas há muito o que melhorar', tão repetitivas quanto pouco esclarecedoras.
Mas apesar de todos esses avanços é verdade que não conseguimos mudar as desigualdades que marcam a maneira como a vida no Brasil é organizada socialmente. Talvez esse seja o conteúdo específico do que se quer dizer por 'ainda há muito o que fazer'. Mas se isso é verdade, não é questão do 'muito por fazer', mas do simplesmente 'fazer', de mudar a essência da sociedade desigual na qual vivemos. Alguns números reforçam essa leitura.
A divisão urbano-rural continua, com o rendimento médio rural sendo 41.64% do rendimento urbano. Muitas dessas pessoas nesses territórios vivem em pobreza extrema. De fato, 24% das pessoas vive com até meio salário mínimo per capita mensalmente, o que corresponde a 13.7 milhões de domicílios. Do lado dos ricos, 0.9% das pessoas vivem com mais de 20 salários mínimo, mas quando abrimos por estados encontramos 1.3% para o Rio, 1.2% para São Paulo, e surpreendentes 4.1% no DF. Não são os ricos do plano piloto que esperam mais de uma hora por dia para ir ao trabalho (16.5% das pessoas no DF gasta mais de 1 hora por dia para se deslocar para o trabalho). As estatísticas agregadas não nos deixam ver essas diferenças.
Nesse mesmo Brasil temos populações marginalizadas vivendo sem água canalizada. Os percentuais são altos para estados como o Maranhão (20.9%), Pará (24.7%) e Acre (29.7%). A média de 5.8% daqueles que não tem água canalizada no Brasil esconde essas disparidades se compararmos com estados como São Paulo e DF que tem respectivamente 0.5% e 0.4% sem água canalizada.
Deveríamos proibir no Brasil o uso das médias na divulgação das estatísticas. As distorções que encontramos mesmo por estados são significativas. Os dados do IBGE precisam ser melhor decompostos por grupos e faixas para que entendamos melhor essa sociedade de classes na qual vivemos. Sem isso, continuaremos com as manchetes 'muito foi feito, mas há muito o que melhorar', tão repetitivas quanto pouco esclarecedoras.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
A Idéia de Justiça (Zero Hora, 25 abril 2012)
Vivemos em
mundo injusto. A fome, a ignorância, a violência, o abandono das crianças e
idosos, as escolas que não ensinam e os hospitais que não curam, assim como as
guerras, as discriminações contra a mulher, contra pessoas por sua cor de pele,
são todas, entre tantas outras, expressões desse mundo injusto que vivemos. Mundo
injusto? Mas o que é a justiça? E o que temos a ver com isso? Questões sobre a
justiça tem sido feitas desde os primórdios das civilizações e cada nova época
se autodefine de acordo com as respostas que escolhe para pensar o significado
e a importância da justiça.
No mundo
contemporâneo ainda vivemos sobre a forte influência do liberalismo político
filosófico, marcado pela contribuição de um dos maiores filósofos do direito do
século passado chamado John Rawls. O seu liberalismo defende o papel das
instituições como promotoras de justiça através da provisão de bens essenciais
(ou primários) para a cidadania, visando promover indivíduos autônomos. A
justiça, segundo ele, precisa de imparcialidade a qual só pode ser atingida se
ignorarmos as circunstâncias dentro das quais as pessoas e instituições operam
.
No entanto, essa
visão estritamente liberal começou a sofrer ataques por promover sociedades que
são tolerantes a todos tipos de liberdades, sem questioná-las, e que além disso
promovem uma ética individualista de pessoas desengajados, na qual as pessoas
não se importam mais umas com as outras.
Um dos
maiores críticos atuais do pensamento Rawlsiano é o Professor Amartya Sen.
Prêmio Nobel em Economia em 1998, o Professor Sen mudou a natureza do debate
sobre o que é justiça ao publicar em 2009 o seu livro ‘A Idéia de Justiça’, a
maior referência no pensamento contemporâneo sobre o significado de se pensar
na justiça desde a publicação do ‘Uma Teoria da Justiça’ de Rawls em 1971.
O Professor
Sen argumenta contra a idéia de justiça ideal proposta por Rawls.
Diferentemente, mostra como na vida real as pessoas ‘lutam contra as
injustiças’ e como as circunstâncias de cada um fazem parte desse desafio cotidiano.
Assim, a justiça não importa pela sua teoria, mas pela sua prática. A justiça
tem a ver com a maneira que vivemos, ela é uma construção diária. Menos importa
o aparato formal das instituições do que aquilo que sentimos, pois está nesse
poder de discernimento e cuidado com o ‘outro’ a chave para sociedades menos
injustas.
terça-feira, 10 de abril de 2012
O Relatório da Felicidade Mundial
O primeiro Relatório da Felicidade Mundial acaba de ser lançado.A mensagem que traz é instigante. Sua discussão conceitual é reflexiva, tratando de um mundo onde as pessoas buscam a afluência e acabam vítimas da obesidade, depressão, diabetes, desordens alimentares variadas, do jogo, da televisão. Trata de um mundo onde a confiança social foi perdida, onde o sentimento de comunidade desapareceu de grande parte dos tecidos sociais urbanos, onde a confiança nos governos é cada vez menor. O mundo como um todo está mais rico, mas será que é mais feliz?
A felicidade é um conceito normalmente desprezado pelo paradigma de Desenvolvimento Humano e pelo cálculo econômico. Esse Relatório não traz nenhuma evidência definitiva para calar os críticos aos estudos de bem-estar subjetivo mas avança dramaticamente em relação a uma fundamentação conceitual que faltava a esse grupo de estudos. Mais ainda, o Relatório advoca um novo modelo de humanidade como fundamentação das medidas de bem-estar ancorado não somente no pensamento 'estritamente racional' mas também no papel das emoções na configuração do nosso bem-estar.
Valores e comportamentos altruístas geram felicidade não somente para aqueles que recebem mas para os que dão também. Muitos dos valores ensinados pelas diferentes religiões são apoiados por sistemas seculares de ética que os suportam. O Relatório traz evidência relevante que explica porque algumas hipóteses utilizadas em modelos econômicos de bem-estar estão simplesmente erradas do ponto de vista descritivo.
Mas o que contribui mais para a nossa infelicidade? Segundo o Relatório, problemas na área da educação são os que mais contribuem, com 16%, seguidos de problemas no uso do tempo com 14%, baixo padrão de vida, também com 14% e bem-estar psicológico com 11%. A renda está longe de ser a única explicação para nossa felicidade, por mais que estruturemos nossas vidas muitas vezes em torno desse único objetivo.
O Relatório segue certo pluralismo metodológico ao utilizar várias medidas de bem-estar subjetivo. Mas o índice de Felicidade Nacional Bruta, utilizado pelo Butão, ainda é um índice complexo com 9 dimensões e 33 indicadores que parecem difíceis de articular como saúde, educação, diversidade ecológica, governança, diversidade cultural, padrão de vida, bem-estar psicológico, vitalidade comunitária e uso do tempo. A Felicidade Nacional Bruta está longe de ser um indicador a ser utilizado pelo grande público.
O Brasil segue em 25o lugar na medida conhecida como 'cantril ladder', em 22o na 'satisfação com a vida' e 53o no 'índice da felicidade', todas bem acima da suas medidas de desenvolvimento humano.Os números parecem ainda dizer pouco mas o Relatório levanta uma discussão sobre o significado da vida e o que diferentes mensurações significam para o nosso cotidiano que é de grande valia. A Felicidade não é uma categoria para ser ignorada 'olimpicamente' na caracterização do nosso bem-estar, mas precisa ser melhor estudada e levada em conta mais seriamente.
A felicidade é um conceito normalmente desprezado pelo paradigma de Desenvolvimento Humano e pelo cálculo econômico. Esse Relatório não traz nenhuma evidência definitiva para calar os críticos aos estudos de bem-estar subjetivo mas avança dramaticamente em relação a uma fundamentação conceitual que faltava a esse grupo de estudos. Mais ainda, o Relatório advoca um novo modelo de humanidade como fundamentação das medidas de bem-estar ancorado não somente no pensamento 'estritamente racional' mas também no papel das emoções na configuração do nosso bem-estar.
Valores e comportamentos altruístas geram felicidade não somente para aqueles que recebem mas para os que dão também. Muitos dos valores ensinados pelas diferentes religiões são apoiados por sistemas seculares de ética que os suportam. O Relatório traz evidência relevante que explica porque algumas hipóteses utilizadas em modelos econômicos de bem-estar estão simplesmente erradas do ponto de vista descritivo.
Mas o que contribui mais para a nossa infelicidade? Segundo o Relatório, problemas na área da educação são os que mais contribuem, com 16%, seguidos de problemas no uso do tempo com 14%, baixo padrão de vida, também com 14% e bem-estar psicológico com 11%. A renda está longe de ser a única explicação para nossa felicidade, por mais que estruturemos nossas vidas muitas vezes em torno desse único objetivo.
O Relatório segue certo pluralismo metodológico ao utilizar várias medidas de bem-estar subjetivo. Mas o índice de Felicidade Nacional Bruta, utilizado pelo Butão, ainda é um índice complexo com 9 dimensões e 33 indicadores que parecem difíceis de articular como saúde, educação, diversidade ecológica, governança, diversidade cultural, padrão de vida, bem-estar psicológico, vitalidade comunitária e uso do tempo. A Felicidade Nacional Bruta está longe de ser um indicador a ser utilizado pelo grande público.
O Brasil segue em 25o lugar na medida conhecida como 'cantril ladder', em 22o na 'satisfação com a vida' e 53o no 'índice da felicidade', todas bem acima da suas medidas de desenvolvimento humano.Os números parecem ainda dizer pouco mas o Relatório levanta uma discussão sobre o significado da vida e o que diferentes mensurações significam para o nosso cotidiano que é de grande valia. A Felicidade não é uma categoria para ser ignorada 'olimpicamente' na caracterização do nosso bem-estar, mas precisa ser melhor estudada e levada em conta mais seriamente.
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